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Maioria das empresas da região ainda não estão totalmente adaptadas à reforma tributária

Autor Da Redação

Cidades 09/09/2026

A poucos meses do início da transição para o novo sistema tributário, 96,5% das empresas da região de Campinas ainda não estão totalmente adaptadas às mudanças. O dado faz parte de uma pesquisa inédita realizada pelo Sescon Campinas com 113 empresas associadas, entre julho e agosto.

De acordo com o levantamento, 60,2% ainda estão estudando os impactos da reforma tributária e 8,8% sequer iniciaram o processo de adaptação. Outras 24,8% estão em fase de implantação e 2,7% concluíram somente o planejamento. Apenas 3,5% afirmaram estar totalmente preparadas.

O cenário chama atenção principalmente pelo perfil dos participantes: 87,6% das empresas consultadas possuem até 50 colaboradores e, geralmente, contam com estruturas menores para acompanhar as mudanças, revisar processos, capacitar equipes e atualizar sistemas.

“Uma empresa que ainda não avaliou os impactos da reforma pode descobrir tarde demais que precisa rever preços, contratos, margens e até sua relação com fornecedores. Não é uma mudança restrita ao departamento fiscal. Ela pode afetar diretamente o custo da operação e a competitividade do negócio”, afirma Claudia Di Fonzo, presidente do Sescon Campinas.

Falta de clareza é o principal obstáculo

Para 38,9% dos entrevistados, a falta de clareza sobre as novas regras é a maior dificuldade para avançar na adaptação. Também foram mencionados o despreparo dos clientes, por 21,2%; a necessidade de capacitação das equipes, por 17,7%; e a falta de tempo, por 15%.

A insegurança se reflete no nível de confiança das empresas. Em uma escala de zero a dez, a nota média atribuída ao próprio preparo para operar sob o novo sistema foi de 5,74.

Segundo Claudia, a mudança exige atenção para além do recolhimento de impostos. “Na prática, muitas empresas ainda não sabem calcular como a reforma poderá afetar o preço final de seus produtos ou serviços. Sem essa análise, existe o risco de manter um preço que reduza a margem de lucro ou de repassar custos de forma inadequada e perder competitividade”, explica.

Maioria espera pagar mais impostos

A pesquisa também mostra que 82,3% dos participantes acreditam que a carga tributária aumentará com o novo modelo.

Quando o assunto é a prometida simplificação do sistema, as opiniões ficam praticamente divididas: 51,3% esperam uma tributação mais simples, enquanto 48,7% não acreditam que essa melhoria será percebida na rotina das empresas.

O setor de Serviços aparece como o mais afetado pela reforma na avaliação dos entrevistados, com 96 menções. Indústria, Comércio varejista e Construção civil também estão entre os segmentos mais citados.

“A preocupação com o setor de serviços está relacionada principalmente ao peso da mão de obra e à menor possibilidade de geração de créditos tributários em determinadas atividades. Cada empresa, no entanto, precisa fazer sua própria análise”, destaca Claudia.

Ela ressalta que negócios do mesmo segmento podem sentir efeitos diferentes, dependendo da estrutura de custos, do regime tributário e do perfil dos clientes.

Adaptação exige participação do empresário

Durante a transição, o contador terá papel importante na elaboração de cenários e na identificação de riscos. Mas, segundo a presidente do Sescon Campinas, o empresário também deverá participar diretamente das decisões.

“O contador pode apresentar cenários e identificar riscos, mas a empresa precisa fornecer informações e compreender que as decisões não serão apenas tributárias. Poderá ser necessário rever contratos, investimentos, fornecedores e estratégias de precificação. Quanto antes esse trabalho começar, menor o risco de decisões apressadas”, conclui.

O Sescon Campinas vem promovendo encontros, palestras e capacitações para preparar profissionais contábeis e ampliar a orientação oferecida às empresas durante a transição.

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