Home / Notícias / Cidades
Andréa Barbieri
O registro do primeiro caso de raiva em um gato em Campinas após dez anos reacendeu o alerta para a importância da vacinação de cães e gatos. O diagnóstico foi confirmado pelo Instituto Pasteur em uma gata encontrada doente nas proximidades do Cemitério da Saudade. Após a confirmação, a Prefeitura iniciou a investigação epidemiológica, identificou pessoas que tiveram contato com o animal e passou a monitorar outros animais da região.
O caso ocorre justamente em agosto, mês em que duas campanhas chamam a atenção para zoonoses que representam riscos tanto para os animais quanto para os seres humanos: o Agosto Verde Claro, voltado à conscientização sobre a leishmaniose, e o chamado Mês do Cachorro Louco, que reforça a importância da vacinação contra a raiva.
Segundo o veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade Qualittas, a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenir a doença. "A saúde do pet, da família e da comunidade depende da vacinação. A raiva apresenta letalidade praticamente de 100% após o surgimento dos sintomas, mas pode ser totalmente evitada com uma dose anual da vacina", afirma.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2010 e junho de 2026 foram registrados 54 casos de raiva humana no Brasil. Em toda a série histórica, apenas duas pessoas sobreviveram após o aparecimento dos sintomas.
A transmissão ocorre principalmente por mordidas, arranhões ou pelo contato da saliva de animais infectados com feridas ou mucosas. Além de cães e gatos, morcegos, raposas e gambás também podem transmitir o vírus. A orientação é nunca tocar em animais silvestres com comportamento incomum e comunicar imediatamente o serviço municipal de zoonoses.
Leishmaniose também preocupa
Além da raiva, o Agosto Verde Claro busca ampliar a conscientização sobre a leishmaniose, doença transmitida pela picada do mosquito-palha e considerada uma das principais zoonoses do país.
Embora historicamente associada às áreas rurais, a doença tem avançado para os centros urbanos em consequência do desmatamento, da expansão das cidades e do deslocamento de animais entre diferentes regiões.
Nos cães, a doença pode provocar feridas na pele, emagrecimento e comprometimento dos rins. Já nos seres humanos, a forma visceral pode causar febre prolongada, aumento do fígado e do baço, anemia e, quando não tratada, levar à morte. "A população ainda desconhece os riscos da leishmaniose e a importância da prevenção. Levar informação é fundamental para reduzir os casos", afirma Flosi.
Entre as principais medidas preventivas estão manter quintais limpos, utilizar coleiras repelentes nos cães com orientação veterinária, instalar telas em portas e janelas, evitar passeios em áreas de mata ao entardecer e realizar exames periódicos nos animais.
Embora não exista cura definitiva para a leishmaniose canina, o tratamento permite controlar a doença e preservar a qualidade de vida dos animais. Já para os seres humanos, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para especialistas, as duas campanhas de conscientização reforçam a mesma mensagem: a prevenção continua sendo a principal ferramenta para proteger a saúde dos animais e também das pessoas.