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Da Redação
A chegada da Páscoa, marcada pelo aumento do consumo de chocolates e reuniões familiares, exige atenção redobrada de quem tem animais de estimação. Durante o período, a circulação de visitantes nas casas e a oferta de alimentos fora da rotina podem representar riscos à saúde de cães e gatos.
O chocolate é um dos principais vilões. O alimento contém teobromina e cafeína, substâncias que os pets não conseguem metabolizar adequadamente. Mesmo pequenas quantidades podem causar intoxicação e provocar sintomas como vômitos, diarreia, agitação, convulsões e, em casos mais graves, levar à morte.
De acordo com o veterinário Francis Flosi, diretor da Faculdade de medicina veterinária Qualittas, a data costuma ser crítica nos atendimentos veterinários. “Muitas pessoas acreditam que oferecer um pequeno pedaço de chocolate não fará mal, mas isso não é verdade. Mesmo porções pequenas podem causar intoxicações graves e colocar a vida do animal em risco”, alerta.
Além do chocolate, outro problema comum é a oferta de alimentos humanos aos pets durante reuniões familiares. Crianças e visitantes, muitas vezes sem saber dos riscos, acabam dividindo doces, petiscos ou pratos da ceia com os animais.
A orientação dos especialistas é que cães e gatos não consumam comida humana, especialmente doces e alimentos gordurosos. Mesmo itens aparentemente inofensivos podem causar problemas digestivos ou intoxicações.
Sintomas podem aparecer horas depois
A intoxicação por chocolate está entre as ocorrências mais comuns na rotina veterinária nesta época do ano. Isso acontece porque a teobromina, presente no cacau, permanece por mais tempo no organismo dos animais e pode afetar o sistema nervoso e o cardiovascular.
Os sinais clínicos costumam surgir entre seis e 12 horas após a ingestão e incluem vômitos, diarreia, aumento da sede, respiração acelerada e agitação. Em situações mais graves, podem ocorrer tremores musculares, arritmias cardíacas, convulsões e até coma.
Segundo Flosi, a rapidez no atendimento faz diferença no prognóstico.
“Ao perceber qualquer sinal ou suspeita de ingestão de chocolate, o responsável deve procurar atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de recuperação”, explica.
Mudanças na rotina também afetam os animais
Durante feriados e datas comemorativas, a alteração na rotina da casa também pode gerar estresse nos animais. A presença de muitas pessoas, barulho e mudanças nos horários podem impactar o comportamento dos pets.
Manter horários regulares de alimentação, passeios e descanso ajuda a reduzir esse impacto e contribui para o bem-estar dos animais.
Alimentos típicos da data, como peixes, também exigem atenção. Embora não sejam tóxicos, podem oferecer riscos devido à presença de espinhos ou ao excesso de sal e temperos.
Adoção de coelhos exige responsabilidade
Outro alerta comum nesta época envolve a adoção de coelhos, que muitas vezes ocorre por impulso por causa da simbologia da Páscoa.
“Coelhos são animais sensíveis e exigem cuidados específicos. A decisão de adotar precisa ser consciente e responsável, não apenas motivada pelo apelo da data”, destaca o veterinário.
Prevenção ainda é o melhor caminho
Além do chocolate, substâncias como cebola, alho, uvas, medicamentos, produtos de limpeza e algumas plantas também podem causar intoxicação em cães e gatos. Como a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa, o controle do ambiente é fundamental.
Durante a Páscoa, a recomendação é manter chocolates e alimentos fora do alcance dos animais e orientar familiares e visitantes sobre os riscos de oferecer comida aos pets.
“Com informação e cuidados simples, é possível evitar acidentes e garantir a segurança e a qualidade de vida dos animais”, conclui Flosi.