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Ansiedade infantil cresce, surge cada vez mais cedo e impacta rotina escolar

Autor Da Redação

Mundo 13/05/2026

A ansiedade entre crianças e adolescentes deixou de ser um tema restrito a consultórios e já passou a impactar diretamente o cotidiano escolar. Em sala de aula, educadores relatam aumento de dificuldade de concentração, irritabilidade e baixa tolerância à frustração, comportamentos que vêm se tornando cada vez mais frequentes e, principalmente, mais precoces.

O avanço dos casos acompanha uma tendência nacional e internacional. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 1 em cada 7 adolescentes vive com algum transtorno mental. No Brasil, o cenário se intensificou nos últimos anos: os atendimentos por ansiedade entre jovens cresceram mais de 400% desde 2020 no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Pela primeira vez, os registros de ansiedade entre crianças e adolescentes superaram os de adultos no país, segundo dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), evidenciando uma mudança no perfil da saúde mental brasileira. 

O estado de São Paulo reflete esse avanço de forma ainda mais expressiva. Entre 2015 e 2023, os atendimentos e internações por ansiedade em menores de 17 anos cresceram mais de 465%, ultrapassando 14 mil casos anuais. Apenas entre crianças de 5 a 9 anos, os atendimentos por questões de saúde mental aumentaram cerca de 50% entre 2023 e 2025, somando mais de 1,2 milhão de registros no período. 

Além do aumento dos casos, especialistas chamam atenção para a idade cada vez mais baixa em que os sintomas aparecem. Parte desse fenômeno está associada ao contato precoce com dispositivos digitais. Estudos e análises recentes apontam o uso excessivo de telas e redes sociais como um dos fatores relacionados ao crescimento dos quadros de ansiedade entre jovens. 

Para o diretor pedagógico do Colégio Crescer, Anderson Gama, o impacto já é perceptível no dia a dia das escolas. “Não estamos mais falando de situações pontuais. Existe uma mudança clara de comportamento, com alunos que apresentam dificuldade crescente de concentração, maior sensibilidade emocional e baixa tolerância à frustração”, afirma.

Segundo o educador, o uso precoce da tecnologia intensifica esse cenário. “O acesso a telas começa cada vez mais cedo, muitas vezes antes dos dois anos de idade. Isso interfere diretamente no desenvolvimento emocional, na atenção e na forma como a criança lida com estímulos e frustrações”, diz.

Diante desse contexto, cresce a pressão sobre as instituições de ensino para incorporar o desenvolvimento socioemocional à rotina pedagógica. A demanda vai além do conteúdo acadêmico e inclui estratégias de acolhimento, escuta ativa e apoio psicológico.

“O desenvolvimento emocional deixou de ser complementar e passou a ser central no processo de aprendizagem. A escola hoje precisa estar preparada para lidar com questões que vão muito além do conteúdo em sala”, afirma Gama.

O especialista destaca ainda que o papel da família é decisivo. “Quando escola e responsáveis atuam de forma integrada, é possível identificar sinais precocemente e construir um ambiente mais seguro para o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes”, finaliza.


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