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Jovem designer da RMC conquista prêmio em Cannes

Andréa Barbieri

Entrevista 28/07/21

E não é só a Olimpíada 2021 que nos orgulha com medalhas, a jovem Camila Gargantini, americanense, ganhou o Leão de Prata de Cannes, principal prêmio da publicidade mundial, aos 26 anos.

Formada em Design pela Facamp (Faculdade de Campinas), desde o início da pandemia ela trabalha como freelancer, e tem se especializado em design estratégico de marcas e identidade visual. Ela conta que os profissionais de criação das agências e estúdios de design são, em sua maioria, homens, e para o time feminino é preciso matar um leão por dia para sobreviver no ambiente dominado por eles, e elas, muitas vezes, não tem o reconhecimento merecido. “Além disso, o fato de ter vindo do interior pesa muito no universo paulistano. Há um preconceito muito grande das origens para ser considerada uma boa designer. Eu ainda estou me acostumando com essa visibilidade, com as pessoas me parabenizando e esperando meus próximos passos ou prêmios”, conta Camila.

Quando a diretora da agência chegou com a proposta de desenvolver um código universal para salvar vidas, desafio grandioso, ninguém se interessou, pois esse definitivamente não seria o projeto de maior visibilidade da agência, e quem no seu infinito ego criativo topa encarar um desafio que não ecoe aplausos?

Com seu altruísmo, competência e coragem, a jovem que saiu de Americana, interior de São Paulo, para enfrentar as “feras” da capital, puxou para o colo o desafio e não pensou duas vezes em dedicar todo seu tempo e aprendizado adquirido para solucionar o problema de maneira fácil e intuitiva. “Eu optei pelo design para fazer a diferença na vida das pessoas, e nem sempre a gente tem esse espaço no mercado. Eu abracei essa oportunidade que o estúdio teve, junto com o meu chefe e resgatamos esse sonho de jovem designer. Nos divertimos demais ao longo do processo e o resultado está sendo ganhar o mundo”, elenca a designer.


IDverse, um código de identificação universal que salva vidas, trouxe junto com o desafio, a informação alarmante de que aproximadamente 227.000 mortes são causadas por eventos adversos evitáveis no Brasil e 2,6 milhões no mundo. Só isso já era suficiente para, através do design e de símbolos, criar um sistema de identificação universal que promova a segurança do paciente, e que ajude os profissionais de saúde a salvar vidas. “Eu e meu diretor Marcelo Roncatti chegamos à conclusão de que trazer uma representação visual para as doenças seria uma solução muito rasa, a questão não era trabalhar a estética e sim a funcionalidade. Os estudos que fizemos foram nos levando a combinações simbióticas e resultaram em um sistema além do estético, que será utilizado no mundo todo, salvando vidas! “afirma Camila com a alegria de quem está apenas começando.

Camila, com seu jeitinho doce e tímido, já tem outros prêmios em seu currículo, como o ouro no Latin American Design Awards e destaque na ADG (Associação dos Designers Gráficos). “Com o Leão de Prata de Cannes, já são quatro prêmios. Eu vejo todo esse reconhecimento como consequência de um propósito de vida: me divertir curtindo o processo, de cuidar de um mundo doente que já está saturado de gente ruim que só pensa em dinheiro. Sou fiel às minhas crenças e faço tudo com amor e dedicação e se sendo assim, me render mais prêmios, ficarei imensamente feliz”, pontua.

E foi assim, que fazendo parte da agência de design Estúdio Colletivo, que Camila foi a design premiada com o Leão de Prata de Cannes 2021, categoria Pharma. Um prêmio que chega ao seu portfólio como a comprovação de que o talento é o que se carrega na simplicidade e no silêncio, promovendo mudanças significativas. 


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